Meu filho troca letras. É normal na idade dele?
Quando a troca de sons faz parte do desenvolvimento e quando vale procurar uma avaliação.
Maria Clara Martins PaceFonoaudióloga · 16 de outubro de 2026 · 2 min de leitura
É a pergunta que mais chega no WhatsApp da clínica, quase sempre depois de uma conversa com a professora. E a resposta honesta é: depende da idade e de qual som.
Trocar sons faz parte do caminho. Nenhuma criança acorda um dia falando tudo certo: ela vai conquistando os sons aos poucos, e alguns demoram mais que outros por um motivo simples, porque são mais difíceis de produzir com a boca.
Os sons não chegam todos juntos
Sons como o p, o m e o b aparecem cedo, porque só dependem de fechar os lábios. Já o r do "prato" e o lh do "molho" pedem movimentos finos de língua, e é normal que apareçam bem mais tarde.
Uma criança de 3 anos que fala "tarro" no lugar de "carro" está dentro do esperado. Aos 5, a mesma troca já merece uma avaliação.
O que costuma ligar o alerta
- Pessoas de fora da família não entendem o que ela fala
- Ela evita falar ou fica frustrada quando não é compreendida
- A escola comentou mais de uma vez
- A troca aparece também na escrita, quando já está alfabetizada
- Alguém em casa teve dificuldade parecida na infância
Esse último ponto costuma surpreender os pais, mas conta: alterações de fala têm um componente familiar reconhecido.
Por que não vale só esperar
"Ele vai falar direito quando crescer" às vezes se confirma. O problema é que, quando não se confirma, a criança já entrou na alfabetização carregando a dificuldade, e aí ela deixa de ser só de fala e passa a atrapalhar a leitura e a escrita.
Uma avaliação não compromete ninguém a nada. Em boa parte dos casos, a conversa termina com "está tudo dentro do esperado, volte daqui a seis meses se quiser". E quando não está, começar mais cedo costuma tornar o caminho mais leve.
Este texto é informativo e não substitui uma avaliação individual. Cada pessoa tem a sua história, e só a avaliação mostra o que faz sentido no seu caso.